quarta-feira, 25 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Seguindo Estrelas
Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim
Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
Como é que você pôde se perder de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraída
Passa e não vê,e não vê
Fico acordado noites inteiras
Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê
Já não consigo não pensar em você
Já não consigo não pensar em você
Por Herbert Vianna
terça-feira, 3 de junho de 2008
MSN
Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN's
Não estou falando desta vez dos emoticons insuportáveis
que transformaram a leitura em um jogo de decodificação,
mas as declarações de amor, saudades, empolgação
traduzidas através do nick
O espaço 'nome' foi criado pela Microsoft
para que você digite O NOME que lhe foi dado no batismo.
Assim seus amigos aparecem de forma ordenada
e você não tem que ficar clicando em cima dos mesmos
pra descobrir que 'Vendo Abadá do Chiclete e Ivete'
é na verdade Tiago Carvalho,
ou 'Ainda te amo Pedro Henrique'
é o MSN de> Marcela Cordeiro
Mas a melhor parte da brincadeira
é que normalmente o nick
diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa
Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí,
pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa...
'A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!' acabou de entrar
Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas),
terminou o namoro e está encalhadona.
Uma semana antes estava com o nick 'O fim de semana promete'
Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos)
que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana
foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro
e beijar umas bocas repetidas
O pior é que você conhece o casal e está no meio desse 'tiroteio',
já que o ex dela é também conhecido seu,
entra> com o nick 'Hoje tem mais balada!',
tentando impressionar seus amigos e amigas
e as novas presas de sua mira,
de que sua vida está mais do que movimentada,
além de tentar fazer raiva na ex.
'Polly em NY' acabou de entrar.
Essa com certeza quer que todos saibam
que ela está em uma viagem bacana.
Tanto que em breve colocará uma foto da 5ª Avenida no Orkut
com a legenda 'Eu em Nova York'.
Por que ninguém bota no Orkut
foto de uma viagem feita a Praia-Grande - SP ?
'Quando Deus te desenhou ele tava namorando' acabou de entrar.
Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade,
gosto musical e interesse por cultura.
Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso.
Normalmente coloca trechos como 'Diga que valeuuu'
ou 'O Asa Arreia' na época do carnaval
'Por que a vida faz isso comigo?' acabou de entrar.
Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente.
Está depressiva porque tomou um pé na bunda
e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex
'Maria Paula ocupada prá c** ' acabou de entrar.
Se está ocupada prá c**, por que entrou cara-pálida?
Sempre que vir uma pessoa dessas entrar,
puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha
azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço.
Com certeza
'Paulão, quero você acima de tudo' acabou de entrar.
Se ama compre um apartamento e vá morar com ele.
Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas.
Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom,
maiores são as chances de você ter o olho furado
pelas sua amigas piriguetes (perigosas)
'Marizinha no banho' acabou de entrar.
Essa não consegue mais desgrudar do MSN.
Até quando vai beber água
troca seu nick para 'Marizinha bebendo água'.
Ganhou do pai um laptop
pra usar enquanto estiver no banheiro,
mas nunca tem coragem de colocar o nick
'Marizinha matriculando o moleque na> natação'
'< . ººº< . ººº< / @ e $ $ ! - @ >ªªª . >ªªª >' acabou de entrar.>
Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci
pronto a ser decodificado.
Cuidado ao conversar: ela pode dizer 'q vc eh
mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX'
'Galinha que persegue pato morre afogada' acabou de entrar.
Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma coça
na piriguete que tá dando em cima do seu ex.
Quando está de bem com a vida,
costuma usar outros nicks-provérbios de
Dalai Lama, Lair de Souza e cia.
'VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP' acabou de entrar.
Essa pessoa está desesperada
pra ganhar um dinheiro extra
e acha que a janelinha de 200 x 115 pixels
que sobe no meu computador é espaço publicitário
'Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro...' acabou de entrar.
Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores.
Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido.
Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca
e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho
'Danny Bananinha' acabou de entrar.
Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria,
mas todos insistem em lhe chamar de Melecão,
sua alcunha de escola.
Adora se comparar a celebridades gostosas,
botar fotos tiradas por si mesma no espelho
com os peitos saindo da blusa rosa.
Quer ser famosa.
Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta
Bom é isso, se quiserem escrever alguma mensagem,
declaração ou qualquer coisa do tipo,
tem o campo certo em opções
'digitem uma mensagem pessoal para que seus contatos a vejam'
ou melhor, fica bem embaixo do campo do nome!!
Vamos facilitar!!!!'
Bom, legal agora é ver um monte de gente
mudando os seus nicks pq são facilmente influenciáveis!!!
por Arnaldo Jabor
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Desenrolando o Acaso

Não me agrada as coisas muito certas
não me atrai uma vida de muito sossego
não existe felicidade sem emoção
não existem sentimentos sem turbulências
Quando tudo está muito calmo
quando as coisas demoram a mudar
é porque algo não está bem
é porque há alguma coisa de errado
São as surpresas e decepções
que quebram a monotonia do meu dia
são os pepinos e abacaxis
que me fazem usar a cabeça
Não sou movida pelo acaso
não faço nada automaticamente
não deixo que as coisas aconteçam
quem acontece sou eu
As formas de dizer, fazer e mudar
são as mais variadas possiveis
dentre as milhões de possibilidades
só o que eu quero é ser eu mesma
Quem dera que para o resto do mundo
isso bastasse, como basta para mim
como seria bom estar bem
só por estar fazendo o que gosto
Mas a minha vida não funciona assim
não vivo isolada
estou inserida num mundo
onde quase tudo é diferente do que penso
Tento tudo que posso
distorço, inverto, desenrolo
mas nada muda o que já é padrão
nada transforma essas mentes
Controlar as nossas vontades
não faz bem pra saúde
reprimir impulsos e a espontâneidade
é substimar nossa criatividade
Não gosto da maneira
como a minha vida é regrada
mas é com isso que vivo
é dessa forma que aprendi a viver
Ao mesmo tempo que
isso me causa repulsa
sinto que está tão atrelado a mim
que é impossivel me disvensilhar
Me ponho de novo a desenrolar o acaso
tentando encontrar uma saída
buscando alguma brecha de transparência
para mostrar a que vim
sábado, 17 de maio de 2008
Resenha: Análise de Discurso
O discurso, segundo Orlandi, “[...] é assim palavra em movimento, prática de linguagem: com o estudo do discurso observa-se o homem falando”. Nesse trecho a autora do livro explica que o discurso não trata somente da língua ou da gramática, trata do uso que nós, seres humanos, fazemos dela para nos expressarmos.
Orlandi diferencia a análise de discurso da análise do conteúdo, dizendo que esta última procura extrair sentidos do texto, enquanto a outra considera que a linguagem não é transparente e vê o texto tendo uma materialidade simbólica própria e significativa e uma espessura semântica, ou seja, não leva em consideração somente o texto analisado para compreender e identificar os significados presentes nele.
São consideradas então as condições de produção de um determinado discurso que compreendem os sujeitos, a situação e a memória. Os sujeitos nada mais são do que os produtores desse discurso influenciados sempre pela exterioridade na sua relação com os sentidos. Situação trata-se do contexto, imediato ou amplo, levando sempre em consideração o momento histórico que se estava vivendo na época da produção. E a memória é o que sustenta os dizeres desse discurso, tudo que já se disse sobre o assunto tratado. “O fato de que há um já-dito que sustenta a possibilidade mesma do dizer, é fundamental para se compreender o funcionamento do discurso e sua relação com os sujeitos e com a ideologia”, afirma Orlandi.
No livro de Eni P. Orlandi são explicados alguns recursos da análise de discurso utilizados para identificar as características ideológicas dos sujeitos. A primeira delas é o “esquecimento” que é explicado de duas formas: primeiro na ordem da enunciação ela diz que “[...] ao falarmos, o fazemos de uma maneira e não de outra, e, ao longo do nosso dizer, formam-se famílias parafrásticas que indicam que o dizer sempre podia ser outro”, isso quer dizer que acabamos expressando a nossa impressão da realidade através da escolha que fazemos por determinadas palavras ou expressões. Já o esquecimento ideológico consiste na retomada de algo que já foi dito como se tivesse se originado no sujeito que o faz. Ele faz isso inconscientemente, pois mesmo antes de ele nascer esse discurso já estava em processo.
Outro recurso explicado pela autora são a “paráfrase” e “polissemia”. Segundo ela, “essas são duas forças que trabalham continuamente o dizer, de tal modo que todo discurso se faz nessa tensão: entre o mesmo e o diferente”. Paráfrase é aquilo que se mantém nos dizeres e polissemia é a ruptura disso. Logo, temos que tanto as constantes quanto as contradições existentes nos dizeres de um mesmo discurso ajudam-nos a identificar muito da situação e da ideologia desses sujeitos, uma vez que sem essas transformações não haveria o movimento dos sentidos, nem a particularidade dos sujeitos. Orlandi completa o pensamento dizendo que nem os sujeitos, nem os sentidos, nem os discursos já estão prontos e acabados, estão sempre se fazendo, estão sempre em movimento na tensão entre paráfrase e polissemia. E essa incompletude é que condiciona a linguagem e cria os diferentes sentidos de um discurso.
“Um dizer tem relação com outros dizeres realizados, imaginados ou possíveis”, inicia Orlandi quando explica que, ao dizer, o sujeito se sustenta em outros dizeres e também visa seus efeitos sobre o interlocutor, sendo que esses efeitos variam quanto à relação de poder que o interlocutor tem com o sujeito. Isso porque o imaginário que um tem do outro interfere em como a mensagem será entendida, e em como o sujeito pensa que ela será entendida. Por muitas vezes os sujeitos antecipam isso, imaginando qual será a imagem que causará nos interlocutores, buscando, através dessa antecipação, que sua imagem seja aquela que ele quer ter para os interlocutores.
O autor demonstra mais adiante que uma “formação discursiva” é que determina o posicionamento ideológico de um discurso. “As palavras mudam de sentido segundo as posições daqueles que as empregam.”, ou seja, a partir do momento em que relacionamos os diferentes sentidos que se pode ter de uma determinada palavra com o sujeito que a usa em seu dizer, isso nos permite compreender o processo de produção dos sentidos e sua relação com a ideologia, levando-nos cada vez mais próximos ao sujeito e a sua intenção ao dizer. A essa transferência de significação de uma palavra para outra, na análise de discurso, se dá o nome de “metáfora”.
Ao afirmar que a presença da ideologia se dá através da interpretação dos sentidos a autora do livro demonstra que tanto os sentidos quanto os sujeitos de um discurso também dependem da ideologia que adotam, e ao mesmo tempo são constantemente influenciados pela linguagem, pela história em que se inserem. Orlandi ainda afirma que o gesto de interpretação se faz entre a memória institucional, que é aquilo que está incorporado ao sujeito desde sempre, e os efeitos da memória constitutiva, que é o dizível, o interpretável, o saber discursivo. Considerando as afirmações da autora pode-se perceber que o sentido que percebemos nos dizeres também estão sujeitos a deslocamentos, apesar de muitas vezes parecerem inalterados, pois somente com ideologia o indivíduo se torna sujeito com identidade.
Ainda no mesmo capítulo, Orlandi expõem que a forma histórica de um sujeito assim como a ideologia da sociedade em que vive, pode alterar sua percepção sobre determinados discursos. Como por exemplo, no capitalismo, onde existem processos de individualização do sujeito pelo Estado, que o submete a um reflexo da realidade aparentemente livre e responsável, provocando o assujeitamento dos indivíduos. A autora também ressalta que “[...] é pela sua abertura que o processo de significação também está sujeito à determinação, à institucionalização, à estabilização e a cristalização”, e que por isso temos que trabalhar continuamente a articulação entre estrutura e acontecimento.
O capítulo seguinte trata de como o analista deve proceder, tendo em vista todos os conceitos levantados anteriormente. Como ele deve trabalhá-los, a ponto de, através deles, conseguir extrair de um determinado dizer os sentidos e ideologias do sujeito. Segundo a autora do livro “a Análise de Discurso não procura o sentido ‘verdadeiro’, mas o real do sentido em sua materialidade lingüística e histórica.” A partir daí, Orlandi descreve como devem ser desenvolvidos os dispositivos para aprimorar a análise e reforça as bases que devem ser consideradas, que são as condições de produção em relação à memória, onde intervém a ideologia, o inconsciente, a falha, o equívoco.
A seguir, o livro traz alguns métodos para ordenar o processo de análise de discurso e organizar as aplicações feitas no objeto de análise. O primeiro deles mostra que o primeiro passo para a análise é o levantamento dos elementos do contexto de produção como o papel social do produtor e interlocutor, lugar social, momento da produção. Feito isso, o próximo passo indicado pela autora é o trabalho com as paráfrases, polissemias, metáforas e a relação dizer/não dizer. Neste último, deve-se construir uma nova versão do objeto de análise, dizendo de outra forma o que é dito, isto para demonstrar que, ao contrario do que parece, o dizer pode sim ser dito de outro modo, sem alterar sua definição semântica, mas podendo alterar a forma como significa dentro do discurso. Após isso, é preciso identificar relações do discurso com formações discursivas que estejam agindo sobre ele, e assim relacioná-lo à ideologia do sujeito para, enfim, poder tirar conclusões a partir dos sentidos de discurso já realizados, imaginados ou possíveis.
Tanto a fundamentação dos conceitos, quanto a orientação de como aplicá-los em um objeto de análise, feitos por Eni P. Orlandi em seu livro demonstram de forma clara os pontos que devem ser considerados na análise de discurso. Entendidos e desenvolvidos esses pontos, podemos não só aprimorar nosso estudo em relação aos textos jornalísticos, como também estar cada vez mais familiarizadas com o modo como se dão as publicações de grandes acontecimentos nos veículos midiáticos de nosso país, e o modo como cada um desses veículos se posiciona em relação a eles.
________________________________________________
Por recomendação do professor Sérsi, vim postar a Resenha que fiz do livro "Análise de Discurso", de Eni P. Orlandi, para a Fundamentação Teórica de nosso trabalho desse ano na faculdade (Projeto Entrevê). É grandinho mas vale a pena ler rs... Beiijos
Orlandi diferencia a análise de discurso da análise do conteúdo, dizendo que esta última procura extrair sentidos do texto, enquanto a outra considera que a linguagem não é transparente e vê o texto tendo uma materialidade simbólica própria e significativa e uma espessura semântica, ou seja, não leva em consideração somente o texto analisado para compreender e identificar os significados presentes nele.
São consideradas então as condições de produção de um determinado discurso que compreendem os sujeitos, a situação e a memória. Os sujeitos nada mais são do que os produtores desse discurso influenciados sempre pela exterioridade na sua relação com os sentidos. Situação trata-se do contexto, imediato ou amplo, levando sempre em consideração o momento histórico que se estava vivendo na época da produção. E a memória é o que sustenta os dizeres desse discurso, tudo que já se disse sobre o assunto tratado. “O fato de que há um já-dito que sustenta a possibilidade mesma do dizer, é fundamental para se compreender o funcionamento do discurso e sua relação com os sujeitos e com a ideologia”, afirma Orlandi.
No livro de Eni P. Orlandi são explicados alguns recursos da análise de discurso utilizados para identificar as características ideológicas dos sujeitos. A primeira delas é o “esquecimento” que é explicado de duas formas: primeiro na ordem da enunciação ela diz que “[...] ao falarmos, o fazemos de uma maneira e não de outra, e, ao longo do nosso dizer, formam-se famílias parafrásticas que indicam que o dizer sempre podia ser outro”, isso quer dizer que acabamos expressando a nossa impressão da realidade através da escolha que fazemos por determinadas palavras ou expressões. Já o esquecimento ideológico consiste na retomada de algo que já foi dito como se tivesse se originado no sujeito que o faz. Ele faz isso inconscientemente, pois mesmo antes de ele nascer esse discurso já estava em processo.
Outro recurso explicado pela autora são a “paráfrase” e “polissemia”. Segundo ela, “essas são duas forças que trabalham continuamente o dizer, de tal modo que todo discurso se faz nessa tensão: entre o mesmo e o diferente”. Paráfrase é aquilo que se mantém nos dizeres e polissemia é a ruptura disso. Logo, temos que tanto as constantes quanto as contradições existentes nos dizeres de um mesmo discurso ajudam-nos a identificar muito da situação e da ideologia desses sujeitos, uma vez que sem essas transformações não haveria o movimento dos sentidos, nem a particularidade dos sujeitos. Orlandi completa o pensamento dizendo que nem os sujeitos, nem os sentidos, nem os discursos já estão prontos e acabados, estão sempre se fazendo, estão sempre em movimento na tensão entre paráfrase e polissemia. E essa incompletude é que condiciona a linguagem e cria os diferentes sentidos de um discurso.
“Um dizer tem relação com outros dizeres realizados, imaginados ou possíveis”, inicia Orlandi quando explica que, ao dizer, o sujeito se sustenta em outros dizeres e também visa seus efeitos sobre o interlocutor, sendo que esses efeitos variam quanto à relação de poder que o interlocutor tem com o sujeito. Isso porque o imaginário que um tem do outro interfere em como a mensagem será entendida, e em como o sujeito pensa que ela será entendida. Por muitas vezes os sujeitos antecipam isso, imaginando qual será a imagem que causará nos interlocutores, buscando, através dessa antecipação, que sua imagem seja aquela que ele quer ter para os interlocutores.
O autor demonstra mais adiante que uma “formação discursiva” é que determina o posicionamento ideológico de um discurso. “As palavras mudam de sentido segundo as posições daqueles que as empregam.”, ou seja, a partir do momento em que relacionamos os diferentes sentidos que se pode ter de uma determinada palavra com o sujeito que a usa em seu dizer, isso nos permite compreender o processo de produção dos sentidos e sua relação com a ideologia, levando-nos cada vez mais próximos ao sujeito e a sua intenção ao dizer. A essa transferência de significação de uma palavra para outra, na análise de discurso, se dá o nome de “metáfora”.
Ao afirmar que a presença da ideologia se dá através da interpretação dos sentidos a autora do livro demonstra que tanto os sentidos quanto os sujeitos de um discurso também dependem da ideologia que adotam, e ao mesmo tempo são constantemente influenciados pela linguagem, pela história em que se inserem. Orlandi ainda afirma que o gesto de interpretação se faz entre a memória institucional, que é aquilo que está incorporado ao sujeito desde sempre, e os efeitos da memória constitutiva, que é o dizível, o interpretável, o saber discursivo. Considerando as afirmações da autora pode-se perceber que o sentido que percebemos nos dizeres também estão sujeitos a deslocamentos, apesar de muitas vezes parecerem inalterados, pois somente com ideologia o indivíduo se torna sujeito com identidade.
Ainda no mesmo capítulo, Orlandi expõem que a forma histórica de um sujeito assim como a ideologia da sociedade em que vive, pode alterar sua percepção sobre determinados discursos. Como por exemplo, no capitalismo, onde existem processos de individualização do sujeito pelo Estado, que o submete a um reflexo da realidade aparentemente livre e responsável, provocando o assujeitamento dos indivíduos. A autora também ressalta que “[...] é pela sua abertura que o processo de significação também está sujeito à determinação, à institucionalização, à estabilização e a cristalização”, e que por isso temos que trabalhar continuamente a articulação entre estrutura e acontecimento.
O capítulo seguinte trata de como o analista deve proceder, tendo em vista todos os conceitos levantados anteriormente. Como ele deve trabalhá-los, a ponto de, através deles, conseguir extrair de um determinado dizer os sentidos e ideologias do sujeito. Segundo a autora do livro “a Análise de Discurso não procura o sentido ‘verdadeiro’, mas o real do sentido em sua materialidade lingüística e histórica.” A partir daí, Orlandi descreve como devem ser desenvolvidos os dispositivos para aprimorar a análise e reforça as bases que devem ser consideradas, que são as condições de produção em relação à memória, onde intervém a ideologia, o inconsciente, a falha, o equívoco.
A seguir, o livro traz alguns métodos para ordenar o processo de análise de discurso e organizar as aplicações feitas no objeto de análise. O primeiro deles mostra que o primeiro passo para a análise é o levantamento dos elementos do contexto de produção como o papel social do produtor e interlocutor, lugar social, momento da produção. Feito isso, o próximo passo indicado pela autora é o trabalho com as paráfrases, polissemias, metáforas e a relação dizer/não dizer. Neste último, deve-se construir uma nova versão do objeto de análise, dizendo de outra forma o que é dito, isto para demonstrar que, ao contrario do que parece, o dizer pode sim ser dito de outro modo, sem alterar sua definição semântica, mas podendo alterar a forma como significa dentro do discurso. Após isso, é preciso identificar relações do discurso com formações discursivas que estejam agindo sobre ele, e assim relacioná-lo à ideologia do sujeito para, enfim, poder tirar conclusões a partir dos sentidos de discurso já realizados, imaginados ou possíveis.
Tanto a fundamentação dos conceitos, quanto a orientação de como aplicá-los em um objeto de análise, feitos por Eni P. Orlandi em seu livro demonstram de forma clara os pontos que devem ser considerados na análise de discurso. Entendidos e desenvolvidos esses pontos, podemos não só aprimorar nosso estudo em relação aos textos jornalísticos, como também estar cada vez mais familiarizadas com o modo como se dão as publicações de grandes acontecimentos nos veículos midiáticos de nosso país, e o modo como cada um desses veículos se posiciona em relação a eles.
________________________________________________
Por recomendação do professor Sérsi, vim postar a Resenha que fiz do livro "Análise de Discurso", de Eni P. Orlandi, para a Fundamentação Teórica de nosso trabalho desse ano na faculdade (Projeto Entrevê). É grandinho mas vale a pena ler rs... Beiijos
segunda-feira, 12 de maio de 2008
O Que Importa Pra Você?
O nivel de importância de qualquer coisa
não está nela mesma
e sim em quem as valoriza
ou desvaloriza
Algo pode ser insignificante para uns
e significar a vida para outros
Você pode despresar certos valores
que fazem parte da personalidade de muita gente
Não deveriamos subestimar o gosto
nem o jeito, nem as atitudes de ninguém
Afinal pouco ou nada sabemos dos motivos
que os outros têm para dar
importância ou desimportância à algo
importância ou desimportância à algo
A Dulce é a coisa mais linda do mundo!!
e eu vi ela ao vivo e à cores *-*
Entende? Claro que não... rs
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Liberdade de que?
Episódios recentes estão me perturbando mais do que eu mesma gostaria. Atitudes mesquinhas, falta de ética e falsidade são coisas que eu não engulo nem fodendo. O pior de tudo é quando as coisas passam desapercebidas e os episódios turbulentos caem no esquecimento, muito parecido alias com a politica do nosso país hoje, onde quando a poeira baixa tudo volta ao normal, nada acontece, nada muda. Como podemos nós exigir mudanças, se não mudamos nossas atitudes de uma vez por todas. A nossa liberdade de expreção, assim como todos os tipos de libertades, termina quando começa a dos outros. Mais do que ter a coragem de mostrar nossa opinião e indgnação deveriamos ter consciência e cautela da forma como fazemos isso. Estamos sujeitos a má interpretação de qualquer maneira. Aquilo que falamos não pode comprometer ninguém a não ser a nós mesmos. Dialogo e discução neste caso sempre são a melhor solução. Falo por mim quando digo que o mais importante é estar com a consciência tranquila, se você está com a razão ou não isso é apenas um detalhe. Não entendo, de verdade, como alguém pode se meter numa coisa dessas! E depois ainda ficar dando mais corda ainda pro assunto, jogando mais lenha na fogueira. Se toca e se encherga, ou vai acabar morrando enforcado ou queimado com aquilo que você mesmo plantou. Nutrir esse tipo de sentimento nos outros e em você é perda de tempo, não é dessa forma que consiguirá alguma coisa, não é assim que o mundo funciona, aonde é que você quer chegar com isso? Pense se cosegue argumentar, se é possivel converser alguém de que esteja certo, se consegue justificar tal atitude. E se não puder simplesmente esfrie a cabeça, fique bem consigo mesmo, não se prenda, não se enrole com esses probleminhas que você cria sozinho. Se tudo está calmo não quer dizer que há alguma coisa de errado. Não pense que só porque muitos estão contra contra você, quer dizer que está sendo injustiçado e que não o compreendem, e que provavelmente estão errados. A maioria as vezes acerta e tratando-se de pessoas sensatas que serão futuros jornalistas creio que isso é bem provável. Tome como lição ou sei lá, ao menos assuma o erro, peça desculpas, pra mim isso não é uma coisa normal, um erro que qualquer um pode cometer todos os dias, é algo muito sério e as consequencias podem ser muito graves. Enfim, não continue achando que você está certo, porque você não está!
Bom creio que algumas pessoas saberão do que se trata o texto e até qual é o epsódio de que me refiro, mas foda-se. Tentei generalizar mas não tive muito sucesso... rs. Pelo menos consegui explicar como me sinto em relação a isso.
Beijos.
Bom creio que algumas pessoas saberão do que se trata o texto e até qual é o epsódio de que me refiro, mas foda-se. Tentei generalizar mas não tive muito sucesso... rs. Pelo menos consegui explicar como me sinto em relação a isso.
Beijos.
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